breviedades pausadas
entre o verde o vermelho
quinta-feira, março 29, 2007
à quem quiser.
sobra espaço branco translúcido.
falta linha de raciocínio.
tantas questões se embaralham por aqui.
nesse curto espaço abarrotado.
e ainda resta a pausa.
que sonega o trabalho, acumula-o.
e o tempo corre.
enquanto o fôlego se supre na expectativa.
aquela que tal como a esperança,
nutri por dias de glória.
quinta-feira, março 15, 2007
entre dedos
terça-feira, março 06, 2007
e eu pensando em você
abri a porta, minutos antes ainda estava aqui.
o tempo que deveria congelar-se, acelera.
e você sempre se vai antes.
abri a porta na expectativa de revê-lo, ainda ali.
sorrindo frente a porta do elevador.
infelizmente o tempo corre sempre depressa quando juntos.
e me consumo pela saudade que corre pelas veias.
há um espaço enorme que deveria ser preenchido.
mesmo já havendo espaços abarrotados.
amor em doses cavalares.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
E os carnavais passam, sem créditos
não valem fodas, carícias e amassos.
afinal surgem barrigas, mas não se formam famílias.
então eu conto, qntos carnavais valeram a pena?
nenhum.
nem mesmo aqueles em que de boa fé pulei, festejei e dancei.
sempre alcoolizada, sempre odorizada pela nicotina.
Desiderata à todos os de boa fé.
Não queiram polemizar.
Opiniões divergem e pontos de vista não estão abertos a discussão.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
em outros carnavais
Sabe-se lá o que aconteceu.
Se fosse eu seria pelos meninos de meninas que não gosto.
Também pudera, homem barbudo de minissaia eu não engulo.
Se fosse eu seria o calor. Gente demais, pele demais, úmido demais.
Se fosse eu seria o trânsito. Nessa época todos saem na rua.
Vai saber porque. Gente parada engarrafando a calçada.
Me incomoda.
Se fosse eu seria pela música que toca em alto e bom som.
Nesses dias é difícil ouvir algo mais calmo, sereno.
E todos ficam assim, descontrolados, eufóricos.
Se fosse eu seria o mau humor da TPM.
É de praxe ficar com os hormônios a flor da pele.
Mas não sou eu.
Afinal eu nem quis sair de casa. Decidi-me que nesses dias eu faço retiro dos outros.
Então pensei, pergunto?
Não precisa. Nesse inter ele fala pelos cotovelos. Fora do comum.
E solta, alivia a tensão muscular.
Bem, sorrio pra mim, ele não é bem eu, mas pensa como se fosse!
quarta-feira, dezembro 06, 2006
ketchup
segunda-feira, novembro 27, 2006
segunda-feira, novembro 13, 2006
no mar de águas

naquela manhã em que abri os olhos tive a sugestão de não vê-lo mais.
pensei, porque não, toda dor é mais ligeira quando corremos e não olhamos para trás.
ouvi a porta estalar, você embaixo d'água num ritual cotidiano de erguer-se novo antes de sair.
a barba que me roçava as entranhas, o cheiro que impregnava a minha pele, os cabelos eriçados, tão seus. resquícios agora no ralo, direto, já que se aprumava ali um novo homem.
o perfume -fecho os olhos e sinto atravessando as frestas a essência, adoro seu cheiro misturado com gotas silvestres; me inebria.
fico estática na cama. debaixo dos lençóis comprados a medida de casal. agora éramos um, ou duas partes.
ouço toda a sinfonia que faz no banheiro, dia após dia.
abre a porta, na cama apóia a toalha, a roupa separada ao corpo nu.
todas as noites eu escolho a camisa de botões, a calça de linho
e dou o nó na gravata. uma supertição nossa, a combinação de cores.
gentilmente você agradece, beija-me a boca com hálito fresco, sorri.
desço as escadas. você alguns passos a frente.
os sons instrumentais da copa misturam-se a ópera do gato.
você arruma a mesa e eu corto o pão.
café, laranjas, mamão. bolos, queijos. leite.
escova os dentes, sorri, se alimenta, se calça, não necessariamente nessa ordem.
mas sempre sai. atravessa a porta ao carro. liga-o, acena e some.
fecho a porta e não sou mais ninguém.
sou um alguém sem função em si. acompanho as horas que se arrastam.
você me consumiu demais, eu quis ser outra parte sua, um braço.
uma muleta. talvez um guarda-chuva.
e eu aqui nesse mar de águas, afogando-me, debatendo-me, esquecida.
o gato se roça na minha perna, sobe logo atrás de mim, as escadas.
deita-se comigo no leito-caixão aonde vejo padecer qualquer coisa, eu.
jaz um qualquer coisa de mim pelos cantos da casa, alagada de mágoas.
os risos que se prendem nas molduras nossas, paralisados no tempo.
do banheiro ainda exala o seu cheiro, respiro profundo consumindo todo o ar.
você é o ar em si, absoluto.
expiro. o animal me ignorando se lambe, banho matinal.
e eu me enrolo ainda mais, pensando em fugir, correr sem olhar para trás.
fecho os olhos e me vejo, sentada num café anos atrás.
uma fulgaz felicidade ímpar nos olhos, e você refletido neles.
o "sim" repetido diversas vezes, eufórico como as pernas, as mãos.
abro-os, já molhada. a água chegou a linha da cama.
ela sobe lenta e contínua. sinto-a na face, sobe acariciando as bochechas.
entra pela boca, pulmão, nariz.
o corpo num reflexo animal me cospe da banheira.
expectoro a água. retorno a cama, úmida. sozinha, fracassada.
ouço a campanhia, desço trôpega, fito a fechadura que roda só.
você, sim você, eu, qualquer função, êxito.
deito em posição fetal e você me envolve. volto a primeira noite que te vi.
sussurra, ainda há tempo de mudar.
quarta-feira, novembro 08, 2006
um contra, outro a favor
entre os dedos entreabertos por onde escapa.
nos lábios cerrados do calado atônito.
pelos olhos aflitos do interlocutor assoberbado.
as calçadas da rua emolduradas.
nós entre molduras, fora delas ou em qualquer movimento, por um passo.
a distância que se aninha no hall de mágoas, chega à sala, despida.
tinha cheiro por lá. odor nosso, daquele amor sublocado.
pensávamos, eterno, intenso já fora demais.
um dia na rua só, faltava-me o guarda-chuva ou faltava-me você.
o desapego é isso, desconcentração do valor real do outro, enquanto bem querer.
sempre muito mimada. sempre a bater os pés e chorar copiosamente à ter atenção.
o estranho é que nunca lhe faltei. você em pedestal de pedra. fincada no meu peito.
disse árido?
abri a porta e te vi sentada, fitando a janela de persianas entreabertas.
como nossa mascote deu-me um instante de atenção e voltou.
entrei, despi-me, lavei-me, vesti-me, comi e já angustiado fiz menção de lhe tocar.
mas aonde você teria ido depois?
os lábios frios me tocaram parcelado, o olho esquerdo perdido no meu direito, molhado.
mansa me ofereceu os braços, maternais, sorriu e andou pro quarto.
descalça, porque deixou os chinelos?
eu não posso. bati na porta inúmeras vezes, mentalmente. uma, na verdade.
espero e anseio por vê-la. não vem.
a orelha fita a respiração apertada atrás da porta. chora contida, triste demais por lágrimas.
sufoco-me. a essa altura a sala já está abarrotada e você não aguenta mais.
desci as escadas, precisava de alguma adrenalina correndo em mim, anestésica.
foram horas de palavras cuspidas, ressentidas, antigas e desnecessárias.
foram horas de silêncio absoluto, de olhos inchados e mãos recusadas.
foi uma eternidade, triste, intensa, inesquecível.
foi o fim de tudo o que já tinha acabado em nós em silêncio, asfixiado.
corri até nossa antiga casa e percebi que há muito tempo perdera seu cheiro.
você estava nas cartas, nas fotos, na mascote, em silêncio.
e então eu sofri como alguém que tentou demais não se envolver em vão
e perdeu o chão, a chance de ser um pouco mais do que só um.
decidi fechar as persianas e no chão da sala deitar.
a cama era sua, as chinelas fui eu que te dei.
segunda-feira, outubro 30, 2006
entre-ar

avulso.
entre nós, ar.
entre-ar.
distantes até não sentirmos calor.
calor humano, do outro.
outrem, que vem e vai, e é assim, igual.
somos assim, parecidos.
cabelos, unhas, uns sorrisos sozinhos.
e andamos num sentido que ás vezes respira,
engasga.
para algum lugar comum, nosso.
dentro de nós, velado, outra vez só.
penso, não, não penso tanto, nem em nós, comuns.
porque ao acaso somos, jogados,
em ventos que nem sempre sopram.
os olhos brilham, longos, minto, não brilham tanto.
O amor ás vezes ofusca os olhos, como cílios que caem.
a intensidade é inversamente proporcional a felicidade,
qual felicidade era mesmo?
sim, ao comum, a felicidade de todos que amam sem demasia.
os outros andam, perambulam. como nós. sem mais.
somos todos doses de relacionamentos superficiais.
ao menos quase todas ás vezes ao longo dos dias e dias.
e os olhos não se trocam, os braços se degladiam.
e o contato mais longo é o esbarro alheio, quando sonolento.
sem mais. sem mais nada mesmo.
afinal avulsos como todos os eus comuns dentro de nosso mundo-anonimato.
terça-feira, outubro 10, 2006
Curioso.

As águas de março ainda perduram.
Curioso isso.
Não só as águas repetem o ciclo. Ou fogem dele.
Todos nós num fluxo contínuo.
Vindo sempre a cumprir às expectativas de outros tempos.
O medo é a pior herança genética que carregamos. Digo, medo-metafísico. Aquele "órgão" social que nos mantém homens coletivos.
Sempre a ter medo de tudo. Da coragem em especial. Que aqui se submete as conveniências.
quarta-feira, outubro 04, 2006
primórdios
Do homem que pouco se tem.Ao homem que pouco se acha.
Nas entranhas que nos custa crer.
Ao silêncio que nos degrada.
Pelos olhos turvos dos dias.
Para dedos presos pelo medo.
Na caverna que pouco nos diz.
De todos os anúncios que nos fizeram,
em outros tempos.
No fim que acomete a todos,
todos ao mesmo tempo, no que dizem alguns.
Mortos estamos hoje, homem se liquefez.
O alter-ego falido, por previsão do homem
que tenta se construir, no padrão homem,
tão comum à todos os outros homens mais ou menos.
mais ou menos história, fábula de si.
menos verdades absolutas.
mais medo e subordinação.
O homem sociedade amarra o nó, nos quer ali,
contidos nele, enquanto figuras representativas,
homem social.
Nem mais um odor, ou rastro de baixaria, "selvageria".
Somos matéria homem, homem subproduto do meio,
meio composto por homem, decomposto figura social.
Aquele que cria submete-se a criação do gênero, da gênisis e do medo.
Engole guela abaixo ou cu adentro. Atento a não convergir,
tendencioso a ser o novo homem a criar o homem.
Silêncio e homem, sinequia.
terça-feira, setembro 05, 2006
"vento velho"
terça-feira, agosto 29, 2006
Destino, descolado.

sexta-feira, agosto 18, 2006
folhas demais.
Nós, no recomeço permanente de nossos medos, diria.
quarta-feira, agosto 16, 2006
segunda-feira, agosto 14, 2006
amarelo luz.

Luz.
Luminescência.
Uma qualidade ímpar.
(...)
Abreviações, cá entre nós, eufemismos incipientes. Penso o quanto de nós é reproduzido a torto e a direito ( ora sem direito) no caso de quem nem ao menos sabe quem somos, fato. Quantas ligações covalentes existem partindo de indivíduos indiferentes. Sabe-se lá o porque real dessa indagação. O que de fato perturba à caráter de hesitação. O silêncio que atropela a boca, corrompida, atônita, por ora muda. E traçar linhas tão próximo e tão distante na anfibologia do orgulho depravado de todos. Sonego, silencio. Parto do pressuposto que dissipasse por partículas impercepitíveis, que acumulam-se sós nos cantos do pranto de um qualquer ego falido. Em dias azuis demais para serem queridos. No baço d'olhos que nos nega uma plácida beleza hipócrita, desse amuado ambiente, de contrastes tão silenciosos e estrondosos. Pavimenta o peito logo que acalente. Melhor que flua entre concreto árido à que músculo nerval.
(...)
"coisas da vida", duma esquizofrenia tão humana.






